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Espaços curvos




Em 1915, após dez anos de tentativas e fracassos, Albert Einstein concluiu a teoria da relatividade geral. Num desses momentos raros de visão quase profética, mostrou que a atração atribuída à gravidade pode ser imitada por um movimento acelerado. Experimentamos isso no elevador: quando sobe rápido, temos a sensação de que nosso peso aumenta. Como ele vem da gravidade terrestre, vemos que a aceleração do elevador pode mudá-lo. Um astronauta num foguete acelerando pode simular a mesma sensação de peso que na Terra.

E aqui vem a grande sacada de Einstein. Quando atiramos uma bola, vemos que ela descreve uma trajetória curva, parabólica. Isso é consequência da gravidade terrestre. Mas se a aceleração imita a gravidade, uma bola atirada num foguete acelerado também descreve uma parábola. Einstein extrapolou isso tudo para a luz. Sabemos que a luz pega sempre o caminho mais curto entre dois pontos. Sob a ação da gravidade, a luz se comporta feito uma bola, e descreve uma curva. Não vemos isso aqui na Terra porque a gravidade é fraca; mas perto de uma estrela, como o Sol, o efeito é bem maior. Einstein, então, teve outra ideia genial: e se não fosse a luz que descrevesse uma curva, mas a própria geometria do espaço que fosse encurvada pela gravidade? E como provar uma ideia tão louca?

Usando o Sol. Como o Sol tem muita massa, o espaço à sua volta deve ser encurvado. Quando a luz de uma estrela distante passa perto, sua trajetória deve ser desviada. Mas como olhar para o Sol e ver uma estrela? Simples: basta fazer a observação durante um eclipse total, quando a luz do Sol é bloqueada pela Lua. Assim, dá para ver a estrela e medir sua posição, comparando com sua posição quando o Sol não está no caminho.

Em 1919, astrônomos tentaram medir o efeito na África e em Sobral, no Ceará. O grupo cearense confirmou de forma aproximada a previsão de Einstein. Sua teoria é usada hoje para corrigir medidas de GPS, órbitas de planetas perto de estrelas, a expansão do Universo, e prevê a existência de buracos negros e de ondas gravitacionais, vibrações na geometria do próprio espaço. A teoria não só trouxe uma nova interpretação da gravidade, como criou uma visão que estamos apenas começando a explorar.

*Professor de física e astronomia do Dartmouth College, nos EUA. É vencedor de dois prêmios Jabuti e seu mais novo livro chama-se Criação Imperfeita

Fonte: Galileu 


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