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'Medalhista' no G1 Enem, jovem larga o jornalismo para tentar medicina




O celular da paraibana Cecília Lima já não toca para chamadas de entrevistas ou avisos de notícias urgentes. A jornalista de 25 anos decidiu mudar de carreira e se prepara para lutar por uma vaga em medicina. O celular virou parte da estratégia de estudos. Ela deletou redes sociais para evitar distrações e instalou o aplicativo G1 Enem. No jogo de perguntas e respostas, virou destaque entre os milhares de jogadores.

Cecília está no grupo seleto de usuários que mais conseguiram "medalhas virtuais" (as chamadas "conquistas"), como recompensa por bons desempenhos no jogo (veja no quadro abaixo).

Cecília já obteve 19 das 25 medalhas possíveis no app. Além dela, somente outros três jogadores conseguiram números parecidos.

Na vida fora da tela, uma das conquistas mais importantes havia sido o diploma de bacharel em comunicação social. Formada pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ela trabalhou durante três anos em redações de revistas e de jornais em João Pessoa. Mas decepcionou-se com o mercado de trabalho.

Ela conta que sempre sonhou em ser jornalista. “Amava meu curso e tinha todo o apoio dos meus pais para seguir essa carreira”, diz. Mas, para Cecília, o mercado na área de comunicação está saturado e ter uma boa formação acadêmica para tentar se diferenciar não traz melhores salários, por falta de plano de carreira. “Como recém-formada, eu ganhava valores muito próximos aos de repórteres já experientes”, conta.

Além da baixa remuneração, o cotidiano das redações também decepcionou a estudante. Ela esperava se dedicar mais a matérias investigativas, mas avalia que o trabalho diário tem outro ritmo. “O dia a dia é muito estressante, com pressão de tempo para entregar os textos”, afirma.

Interesse pela medicina
Mesmo sendo filha de um médico e de uma dentista, a área da saúde nunca tinha despertado seu interesse. Até que, em 2013, começou a ler sobre psicanálise e fez um curso livre sobre o assunto.

Foi aí que decidiu fazer uma segunda graduação. “Queria algo que me amparasse no exercício da psicanálise. O curso mais próximo é medicina, então resolvi tentar”, conta. Ela também se interessa pelo cuidado de idosos, então há a possibilidade de seguir a área da geriatria.

Buscando dedicar-se aos estudos, Cecília pediu demissão de uma empresa jornalística e matriculou-se em um cursinho pré-vestibular. Para ganhar dinheiro até ser aprovada, faz reportagens como freelancer, em casa.

Ela conta que seu pai apoiou a decisão, mesmo sabendo que a renda da filha diminuiria. E reforça: "Continuo sentindo orgulho da minha primeira profissão. Serei uma médica jornalista. Quem sabe não faça um blog no futuro, misturando os dois assuntos?".

Negativa do Fies
Durante o primeiro semestre de 2014, a jovem se preparou para prestar os vestibulares de inverno. Foi aprovada em uma faculdade particular de João Pessoa, mas não conseguiu o financiamento do curso pelo Fies. “Precisei abrir mão da vaga, porque não teria como bancar uma mensalidade de mais de R$ 6 mil”, diz.

Diante da impossibilidade de obter o financiamento, Cecília voltou a estudar, focando no Enem. No ano passado, não atingiu a pontuação necessária para ser aprovada em uma universidade federal. “Fazia 5 anos que eu não tinha contato com as matérias do colégio. Sabia que seria difícil”, afirma Cecília.

Atualmente, ela segue se preparando para fazer novamente o exame. Durante o dia, estuda em casa com vídeos na Internet e resoluções de exercícios. E garante que, mesmo com experiência em jornalismo, não tem vantagens para a redação do Enem: “O texto jornalístico é muito diferente do formato do exame. Estou tentando me preparar de acordo com o que costuma ser cobrado na prova.”

No celular, basicamente só funciona o telefone e o aplicativo G1 Enem, usado para rever conceitos de maneira mais divertida. “Quando erro alguma pergunta, vou pesquisar sobre a matéria. Então isso ajuda bastante. É uma brincadeira nerd que adoro”, diz. 

De resto, a vida online da jovem está provisoriamente desativada. Cecília deletou sua conta noFacebook e saiu de todos os grupos do Whatsapp, para não perder a concentração nos estudos. “Estou faltando em aniversários e formaturas dos amigos. Sorte que eles entendem meu motivo”, brinca.

Luiza Tenente Do G1, em São Paulo

Crédito:Arquivo Pessoal

Fonte:http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/09/medalhista-no-g1-enem-jovem-larga-o-jornalismo-para-tentar-medicina.html


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